Verônica Silva Hipólito já venceu um tumor no cérebro e um AVC que afetou os movimentos do lado direito do corpo. Este ano, entra para a história como a menina que bateu os recordes paralímpicos em todas as modalidades em que participou.

Ela foi medalhista de ouro nos 100, 200 e 400 metros rasos e conquistou medalha de prata no salto em distância na última edição dos Jogos Pan-Americanos em Toronto 2015.

veronica hipolito

Verônica Hipólito recordista paralímpica do atletismo brasileiro

Muitos brasileiros sentem orgulho em ver a medalha de ouro estampada em seu peito. Como você percebe esse sentimento?
Quando estamos na Vila não conseguimos ter noção de tudo o que está ocorrendo no Brasil. Mas nas postagens do Facebook, nas notícias que somos marcados, nos comentários dos nossos amigos e até daqueles que não conhecemos conseguimos nos aproximar das pessoas. Fico muito feliz em saber o trabalho vem dando resultado e, cada vez mais, temos mais brasileiros torcendo e conhecendo o movimento paralímpico.

O que lhe motiva a treinar?
Amo o que faço. Treino com pessoas que amam o que fazem (fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogas). Isso é um passo enorme! E, claro, tem o fator de acreditarem em mim. Quero ajudar a aumentar o movimento paralímpico. Treino quase todos os dias para representar o meu país e trazer orgulho e esperança para cada um dos brasileiros.

“Somos muito mais do que podemos. Somos fortes, podemos correr atrás e fazer história.”

Como é ser uma atleta de alta performance? Quais os desafios que enfrenta no seu dia a dia?
É saber acreditar que não existe sorte, que existe treino. Que o treino não é só na pista, quadra, piscina, campo ou academia. Começa no seu descanso. Temos que descansar bem, comer bem, sentir dor no treino e fora dele sabendo que vamos ter que tratar e voltar a treinar.

Às vezes, engolir as saudades da família, porque seu objetivo é orgulhar todos eles. Moro com meus pais e meu irmão e vejo mais meu treinador do que eles porque sempre que estou em casa eles estão trabalhando. Ser um atleta de alto rendimento é aprender a crescer, talvez de uma forma dolorida, mas fazendo aquilo que você ama.

Qual a lição mais bonita que seu esporte traz à tona para você? O que isso tem a ver com sua personalidade?
Que tudo vai ser difícil. Que tudo é muito difícil. Não só no esporte, mas, na vida. Se quer algo muito bem feito vai ter que se dedicar. Quando temos pessoas próximas nos ajudando nessa dedicação, temos mais chance daquilo sair melhor e vamos querer nos esforçar mais. Sou de uma modalidade individual, mas tem muita gente se dedicando por mim, me apoiando. Se quiser ganhar terei de me dedicar de segunda a segunda, me policiar sempre, porque isso é o esporte de alto rendimento: esforço, dedicação e disciplina.

Quais suas expectativas para as Olimpíadas no Rio 2016?
Estou bem animada. Vai ser uma grande competição, com adversárias absurdamente fortes e quero dar o melhor. Quero orgulhar todo mundo e me orgulhar. Faltam menos de 400 dias e vou treinar muito. Toda a seleção brasileira paralímpica vai brigar para fazer bonito aqui em casa e ficar entre os cinco primeiros colocados no quadro geral de medalhas.