Recentemente estive visitando o Capitol Riverfront Business Improvement District, um novo conceito de urbanismo. É uma comunidade amiga dos pedestres, ciclistas e do transporte público onde o uso misto prospera. Trata-se de um conceito de mobilidade urbana, com poucos deslocamentos, que começa a fazer parte da vida das grandes cidades americanas.

Um local onde as funções trabalhar, recrear, circular e habitar estão juntas.

Localizada no sul de Washington D.C. ocupa uma área de mais de 3.4 milhões de m² que fica às margens do Rio Anacostia, junto ao antigo Estaleiro Naval, Ministério dos Transportes e ao recém-inaugurado estádio de beisebol do Nationals. No total, serão mais 1,4 milhões de m² de escritórios, 60mil de comércio, 6271 unidades habitacionais e 204 leitos de hotel com um custo estimado de 9,1 bilhões de dólares.

Maquete eletrônica da área

 

Mobiliário Urbano

 

Rua com calçadas generosas e arborização

Igualdade, Fraternidade e Liberdade no Novo Continente

No final do século XVIII, o urbanista francês Pierre Charles L’Enfant, que viajou para a América para apoiar a Guerra revolucionária contra a Inglaterra, começou a pensar na proposta urbanística para ser a capital do novo país. Com o total apoio de George Washington ele propôs uma grande capital com amplas avenidas, praças e prédios públicos inspiradores. Era uma espécie de nova Versalhes no novo continente.

A peça central do projeto de L’Enfant foi um grande “passeio público” onde hoje ainda há uma faixa larga e reta de grama e árvores (o “Mall”, ladeado pelos museus do Smithsonian Institute) que se estende por 2km a partir de Capitol Hill para o Rio Potomac.

Capitol Hill se tornou o centro da cidade a partir do qual avenidas cortam em diagonal com o nome dos estados, através de um sistema de grade. Essas amplas avenidas permitem o transporte fácil e vista de edifícios importantes e praças comuns a grandes distâncias. Praças e parques públicos foram distribuídos uniformemente nos cruzamentos.

Assim, Washington D.C. impressiona por suas edificações neoclássicas e ecléticas, seus museus e monumentos. É um lugar onde o horizonte pode ser visto e sentido, onde há avenidas amplas e bem definidas, onde se pode tranquilamente andar a pé ou de bicicleta. Ou usar o metro e descer na estação L’Enfant Plaza, construída em homenagem a urbanista.

* Esta visita foi feita para acompanhar os alunos IV Módulo Internacional em Gerenciamento de Projetos do ISAE/FGV, curso que coordeno há mais de 4 anos com a School of Business da George Washington University.

 

Sérgio Póvoa Pires, diretor da Sorttie Soluções Criativas