Poderia parecer humor negro se não fosse algo muito sério. Algumas das questões mais discutidas hoje em dia são a inovação, a responsabilidade social e a criatividade. Pois tudo isso é um prato cheio na vida do médico anatomista alemão Gunther von Hagens. Tive oportunidade de conhecer de perto seu trabalho quando visitei, em 2003, a exposição Körperwelten em Hamburgo.

Em 1977, ele inventou (e no ano seguinte patenteou) uma nova técnica de preservação dos tecidos chamada de plastinação. Desde 1993, ele comanda o Institute of Plastination. Hoje há uma Sociedade Internacional e um jornal voltados ao assunto.

O método da plastinação resume-se na imersão do espécime ou orgão dissecado em acetona para evacuar toda a água do corpo. Posteriormente, leva um banho de polímero de silicone (como silicone de borracha ou o poliéster) e é selado numa câmara em vácuo. A acetona sai do corpo em forma de gás e é substituída pelo polímero de silicone até ao nível celular mais profundo. O polímero de silicone endurece e assim o espécime é preservado de uma forma perfeita, como se tivesse vida já que consegue manter o relevo original e a identidade celular.

Um achado para a medicina e para os médicos. Mais de 40 países e 400 universidades utilizam o seu método nos seus currículos. Por muitos anos temos convivido com órgãos expostos em Institutos Médicos Legais, em Universidades que servem para aulas e estudos de anatomia. Agora estes órgãos estão ao alcance do homem comum. Podemos literalmente ver nosso interior, nos conhecer melhor e entender como funcionamos. Mas a polêmica não está no método, mas na maneira como ele encontrou para divulgá-lo.

Transformou corpos em esculturas. Impressionantes. Impactantes. De uma beleza inquietante que já foi vista por mais de 10 milhões de pessoas em sete países desde 1996.

Questões éticas e morais aliadas à fama conquistada e um negócio muitíssimo lucrativo colocam o médico alemão na berlinda. Discussões a parte, estamos diante de um fenômeno que precisamos conhecer melhor. Portanto, ninguém deve perder a exposição “O Fantástico Corpo Humano” que começou na semana passada no Shopping Palladium em Curitiba e fica até o dia 19 de abril em cartaz.

Sérgio Póvoa Pires