Portugal é um país onde há vinho por todas as partes. São 92mil km2 de área que vão do mar ao monte, chegando a 2mil metros de altitude (como em Trás-os-Montes). E sim, há produção por todos os cantos.
Atualmente, metade dela é exportada para outros lugares do mundo. O país é líder nos fortificados vinhos do Porto, mas novos microprodutores e masterblenders estão buscando surpreender o paladar do consumidor. “Estamos num momento não somente do vinho da terra, mas também no vinho do homem com criações bem interessantes que vem de novas vinícolas”, comenta o jornalista Alexandre Lalas.
Portugal vive um momento de recuperação de vinhas velhas, bem como o desenvolvimento do enoturismo e sua natural associação com a gastronomia, com destaque para a região da Beira Interior. A palavra de ordem é diversidade num mercado que trouxe €87milhões para o Brasil em 2025.
“O consumidor brasileiro procura nos vinhos portugueses uma combinação de tradição, autenticidade e qualidade comparável a outros países tradicionais, porém com melhor custo-benefício. Isso reforça sua posição no mercado brasileiro” comenta Ricardo Pinto Correia administrador e membro do conselho da Casa Santos Lima.
“Há uma valorização de vinhos equilibrados, gastronômicos e versáteis, que acompanhem bem a diversidade da culinária brasileira. Regiões consagradas e denominações tradicionais tendem a ter maior aceitação, assim como castas clássicas portuguesas. Além disso, há uma crescente apreciação por vinhos que expressem identidade regional, mas sem abrir mão da elegância e do perfil acessível ao paladar” pontua Correia.
Para citar alguns rótulos, do noroeste os tradicionais vinhos verdes, produzidos em solo de granito e vegetação abundante (dai o nome, “verde”) vem a leveza desta casta de brancos no premiado Aveleda Loureiro & Alvarinho (Wine Enthusiast e James Suckling).
O Lisabona é uma das mais recentes criações da Quinta de S. Sebastião (Lisboa), para se mostrar um vinho de cor de veludo com notas de ameixa feito com castas clássicas de Touriga Nacional, Syrah e Tinta Roriz. Lá em Arruda dos Vinhos já estão trabalhando com o Certificado de Sustentabilidade.
“Ela permite uma utilização mais eficiente dos recursos naturais, como água e energia, bem como uma gestão rigorosa de resíduos, contribuindo inclusive para a preservação do terroir e qualidade dos nossos vinhos a longo prazo”, comenta Ângela Almeida do departamento de vendas e suprimentos da Quinta de S. Sebastião.
Ao sul, o clima é mais ameno, influência do Mediterrâneo. A retomada da produção no Algarve trás novas vinhas e modernas produções que resultam no Simply Because, um tinto do vastíssimo portfólio de Casa Santos Lima, redondo, com notas de amora, muito equilibrado e também premiado (Mundos Vini Spring Tasting).
Já a Península de Setúbal abriga uma área de proteção de aves (Reserva Natural do Estuário do Sado), daí a cegonha do rótulo de Herdade da Gâmbia. Este moscatel de setúbal tem um dulçor natural produzido com curta fermentação, adição de aguardente e posterior envelhecimento em barricas de carvalho por 5 anos. O resultado é puro ouro.
Tai, um apanhado do que foi a última Grande Prova de Vinhos de Portugal da qual participei e que reuniu 15 produtores de diferentes regiões do país num evento promovido pela ViniPortugal, em Curitiba-PR.
A produção não para por ai, pois saiba que há ainda castas não catalogadas nessa vastidão de paladares. É beber pra ver…
